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Sempre achei injusto o exemplo que usa a exceção e transforma na regra, dizendo, por exemplo: que conhece o filho de um catador de lixo que se esforçou e conseguiu fazer uma faculdade e virar doutor. Porque a realidade é que a esmagadora maioria de filhos de catadores de lixo, serão catadores de lixo, ou similar, por mais que não queiram, por mais que se esforcem.
E a probabilidade deste filho se envolver em algum ato infracional, de ser cooptado pelo tráfico, é bem maior do que a minha filha, do que o seu neto, o seu sobrinho se envolverem ou serem atraídos pelo tráfico, pelas drogas. Mesmo porque se "nosso adolescente" cometer algum deslize, será um acaso, “coisa da idade”, afinal ele não é um marginal, vem de boa família, estuda em escola particular, precisa de um puxão de orelha e outra oportunidade. Quem de nós não fez besteira nesta idade de 16, 17 anos, onde tudo é mais intenso, mais acelerado?
Mas se for o filho do pobre e se for negro então: é pivete, não é mais criança ou adolescente é "de menor", deve ir pra cadeia para aprender como se comportar, pois já entende o certo ou errado. Mesmo sabendo que o modelo de nossa cadeia não serve para ensinar ninguém a virar “gente”, mas para profissionalizar no crime, mas isso não importa, o que importa é a vingança, a sensação de segurança que teremos.
Teremos?
Gostaria que conseguíssemos desligar a televisão, parar de ler os jornais por alguns dias e olhar um pouco para a realidade, para o nosso dia a dia. Talvez assim poderiam perceber que a redução da maioridade penal, nada mais é que prova da incapacidade nossa (família, sociedade, governos) em cuidar do nosso jovem, ou a ainda a falta de interesse de resolver os problemas da nossa infância, que não precisa de cadeia, mas de investimento em educação, em lazer, em cultura, de moradia, de trabalho. Poderiam perceber que as famílias precisam é de apoio para se reestruturarem. Poderiam perceber que é falso o sentimento criado pelos meios de comunicação de que em encarcerando adolescentes de 16, 17 anos, da mesma forma que encarceramos os adultos, acabaremos/ inibiremos a violência e viveremos com segurança.
Da minha parte, vou continuar na luta pela defesa e proteção das crianças e adolescentes, pois é neles que está o presente e o que queremos como sociedade futura, e sei que tem muita gente nesta luta, não se assustando de remar contra a forte correnteza e que sabem que o problema da segurança é muito mais profundo que a receita fácil que o congresso nacional e os meios de comunicação estão tentando nos passar.
Soraia Joselita Depin






